Da dor à luta – Um Cancer muda tudo em nossa vida

Da dor à luta

Outra beneficiada pelo auto-exame é a psicoterapeuta e psico-oncologista, Graça Marques. Ela descobriu o tumor apalpando sua mama durante o banho no dia de seu aniversário. “Foi um susto, mas nunca tive medo de doenças. Iniciei a quimioterapia em maio de 1999 e operei o tumor em 24 de julho do mesmo ano. Fiz 32 sessões de radioterapia entre outubro e novembro e no dia 20 de novembro já estava embarcando para Brasília, para inaugurar uma frente parlamentar da cancerologia juntamente com a Sociedade Brasileira da Cancerologia”, conta.

Graça, que procurou tratamento na rede particular, também se preocupou com a saúde mental. “Sou budista japonesa, por isso faço psicoterapias e medito há muitos anos, o que me fortaleceu sempre. Com a meditação me tornei uma pessoa que enfrenta os obstáculos como simples fatos da vida, os quais eu devo superar”. Segundo a doutora, não apenas o paciente, mas toda a família necessita de atenção e cuidado, principalmente psicológico, para enfrentar a batalha. “Toda a família deve procurar ajuda psicoterápica, consultar mais de um médico e ter paciência. O câncer é uma doença pesada e exige estrutura de todos. É importante saber também que a alimentação é importante durante e após o tratamento. Fora isso, deve-se ler e procurar ajuda espiritual ou religiosa”, recomenda ela.

Amor ao próximo

E foi esse sentimento de ajudar que deu ainda mais disposição e força para que Graça vencesse a doença e criasse uma entidade de apoio ao paciente com câncer. “Eu fui movida pelo desejo humano de ajudar pessoas com o mesmo problema e que não tinham acesso a tratamentos privados, nem sabiam que tinham direito aos tratamentos públicos com dignidade. Eu quis melhorar o sistema de atendimento do SUS e dos planos de saúde, quis mudar o Brasil na saúde”, emociona-se. “Na época em que estive doente, uma paciente levava oito meses para conseguir fazer uma mamografia e 12 meses para passar por uma cirurgia oncológica. Em oito anos, o tempo de espera por uma cirurgia caiu para seis meses. Hoje eu luto pela aprovação da emenda constitucional 29, que parou na Câmara dos Deputados mas que, ao aprovada, deverá melhorar os recursos da saúde de um modo geral. Além disso, fundei o Núcleo de Apoio ao Paciente com Câncer (Napacan)…

Para Dra. Graça, mesmo tendo vencido a doença, as dificuldades persistem até hoje, mas ela não desiste. “Sempre faltou dinheiro e pessoas para trabalhar no núcleo. Nunca tivemos uma sede e até hoje vivemos ‘de favor’ em salas emprestadas. Pelo fato de sermos um advocacy, e não uma associação assistencialista, somos segregados. De certa forma, não somos bem-vindos em lugar nenhum porque brigamos quando algo está errado neste sistema capitalista selvagem. Apontar os erros implica ser marginalizado e até punido”, indigna-se Graça. E mesmo com todos os obstáculos enfrentados, ela conta que consegue fazer um belo serviço: “Até hoje conseguimos atender 599 mil pessoas e distribuímos mais de 200 mil manuais do Napacan com informações importantes para os pacientes, que são atendidos em até dez dias depois de nos procurarem.

http://www.bolsademulher.com/corpo/do-mal-a-cura-1

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